A revolta dos malês
A resistência coletiva ao sistema de escravidão no Brasil-Colônia e no Império por parte dos negros trazidos à força da África assumiu duas formas, ambas duramente reprimidas: no campo, a fuga das fazendas para o interior das matas, onde se formavam as comunidades quilombolas; nas cidades, as revoltas em massa.
Salvador foi o centro urbano brasileiro onde mais se registraram revoltas de escravos no século XIX. Não por acaso. Numa cidade de 65.500 habitantes, na época, os escravos eram 40%. Juntando com mestiços e negros libertos, os afrodescendentes representavam 78% da população.
Além da insatisfação com o regime de opressão e exploração em vigor, dois acontecimentos extermos motivaram os levantes da primeira metade do século XIX na capital baiana: a grande insurreição negra do Haiti, vitoriosa em 1804 e a guerra santa (Jihad) lançada no Sudão (África) por Osman Dan Fídio, seguidor de Maomé, com o objetivo de implantar o islamismo e acabar com o envio de escravos para o continente americano.