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Cultura : “O nosso sacrifício é consciente, é a cota a pagar pela liberdade” (Che)

em 27/05/2009 (280 leituras)

 Nada mais adequado para descrever a brilhante história de luta de um revolucionário como Che Guevara, traduzida para o cinema pelo cineasta estadunidense Steven Soderbergh no longa-metragem Che.  Com capacidade para despertar a indignação e o desejo de mudar o mundo até nos mais desacreditados, o filme surpreende pela fidelidade à história, algo raro na maioria das produções que levam à telona a vida de grandes homens e mulheres.
O protagonista é o ator norte-americano de origem porto-riquenha Benicio del Toro, que, não à toa, ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes em 2008, além de estar incrivelmente semelhante ao seu interpretado. O ator brasileiro Rodrigo Santoro participa do filme no papel de Raúl, irmão de Fidel Castro.
O projeto do filme começou quando a produtora Laura Bickford e Del Toro compraram os direitos da biografia de John Lee Anderson Che Guevara: a Revolutionary Life, mas acabaram por desistir, pois não conseguiram encontrar um argumentista. Posteriormente, Steven Soderbergh entra para o projeto, o filme é todo reestruturado e fica decidido que será rodado em espanhol.


 Che o Filme

Che tem duração total de 4h28min e foi dividido em duas partes. A primeira – El argentino – fala da participação de Guevara na Revolução Cubana (1956-1959) e avança até seu discurso no plenário da ONU, em 1964, reafirmando seu compromisso com a luta do Terceiro Mundo contra o imperialismo norte-americano. A produção é cheia de flashbacks, com idas e vindas desde que o então médico argentino decidiu participar da revolução, ainda no México, passando por sua viagem aos Estados Unidos, já como estadista, e voltando à Sierra Maestra, em Cuba. Nesse primeiro momento do filme, a determinação, a convicção e a autoridade revolucionária do companheiro Che é evidenciada, principalmente em meio aos combates na selva.
A segunda parte – Guerrilla – fala da guerrilha na Bolívia depois da Revolução Cubana, onde Che organiza um pequeno grupo de militares cubanos e recrutas bolivianos para começar a Grande Revolução Latino-americana. A história da campanha boliviana é um capítulo de tenacidade, sacrifício, idealismo e da arte da guerrilha.
Desmistificando Che Guevara como figura lendária através da objetiva narração histórica dos fatos, o filme destaca o que ele realmente foi: uma pessoa simples, movida por grandes sentimentos de amor pela humanidade; o homem que abdicou da vida pessoal para se dedicar ao povo; o médico que ajudou camponeses e companheiros de batalha; o guerrilheiro e comandante brilhante; o revolucionário que, fiel à ideologia socialista, seguiu o que acreditava até o último minuto e deu uma imensa contribuição para mudar a história da humanidade.
Que seu exemplo continue movendo homens e mulheres em todo o mundo!

 Renata Escarião, jornalista

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