Internacional : Evo Morales denuncia plano para assassiná-lo
em 27/05/2009(224 leituras)
O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou, no dia 16 de abril, que “terroristas europeus” planejavam atentar contra a sua vida. O vice-presidente Álvaro García Linera e autoridades de seu gabinete também seriam alvo do grupo, desarticulado pela polícia boliviana na madrugada do dia 15, em Santa Cruz de La Sierra.
“Não me equivoquei ao dizer que os dias de Evo Morales podiam estar contados. Os resultados da operação de hoje coincidem com a informação preliminar que tínhamos a respeito deste grupo terrorista de mercenários europeus e bolivianos”, disse o presidente, durante reunião da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).
Em La Paz, o vice-presidente García Linera disse que a articulação foi
identificada a partir da documentação encontrada pela polícia depois de
um tiroteio em que três terroristas morreram e outros dois foram
detidos. Depois da operação, a polícia apreendeu, no centro comercial
de Santa Cruz, armamento pesado, como metralhadoras e fuzis, além de
explosivos preparados para futuros atentados. Pela apreensão destas
armas e pelos documentos encontrados, o governo afirma que a quadrilha
cometeu os recentes atentados em Santa Cruz contra as casas do cardeal
Julio Terrazas e do vice-ministro de Autonomias, Saúl Ávalos, ambos no
início do mês de abril.
“Os documentos, de maneira preliminar, falam dos preparativos de um
atentado contra as vidas do presidente e do vice-presidente da
República”, afirmou García Linera. Segundo ele, o governo tem dados
sobre a presença desses terroristas em recentes atos públicos de Evo
Morales. O vice-presidente disse ainda que, pela quantidade e modelo
das armas encontradas, a polícia deduz que pode haver outras células
terroristas na Bolívia, vinculadas a uma “ideologia de extrema-direita
fascista”.
“Na Bolívia, a direita tentou me tirar com o voto do povo, mas
fracassou; tentou me tirar com um golpe de Estado civil, mas fracassou;
e agora planejava fazer o mesmo, usando esses mercenários, mas
fracassou. Oxalá fracasse para sempre”, disse Morales.
Greve de fome
Evo Morales também realizou uma greve de fome para pressionar os
parlamentares bolivianos a, segundo palavras dele, “cumprir a vontade
do povo” e aprovar a nova lei eleitoral do país. Em janeiro passado, os
bolivianos aprovaram, em um referendo, uma nova Constituição, que prevê
a reforma eleitoral. Entretanto, para poder valer, a nova Carta deveria
ser referendada também pelo Congresso.
A oposição boliviana é contra a nova lei eleitoral porque ela reserva
uma cota de cadeiras a setores indígenas e garante o voto dos
bolivianos no exterior, entre outras medidas que aumentam a
participação popular no país.
Durante a greve de fome do presidente, mais de mil pessoas em toda a
Bolívia também aderiram à iniciativa do presidente para exigir do
Congresso a aprovação da lei.
A pressão deu certo. A nova lei eleitoral da Bolívia, que garantirá as
eleições gerais de dezembro, foi aprovada pelo Congresso, apesar de
toda a pressão contrária da direita boliviana, e promulgada pelo
presidente Evo Morales em um ato público que reuniu milhares de pessoas
na capital do país, La Paz, no dia 14 de abril.