Juventude : UJR conquista importantes vitórias em eleições de DCEs
em 13/07/2010(65 leituras)
O primeiro semestre foi de importantes vitórias para o movimento estudantil combativo, em várias universidades. As chapas das quais participaram militantes da União da Juventude Rebelião (UJR) e estudantes independentes venceram as eleições para os diretórios centrais nas federais da Paraíba (Campina Grande), Alagoas e Pernambuco (UFCG, Ufal e UFPE) e na Universidade Estadual da Paraíba. Na UFPB, a vitória foi de uma chapa composta também de militantes da corrente Consulta Popular. E, na UNA-BH, universidade particular mineira com mais de 10 mil estudantes matriculados, derrotamos o DEM (ex-PFL) em aliança com a juventude socialista do PDT.
Na maioria dessas eleições, enfrentamos com êxito tanto o esquerdismo quanto o oportunismo de direita no movimento estudantil. Os resultados dessas eleições demonstram que existe um grande espaço para o crescimento da política revolucionária nas universidades e que, para ocuparmos esse espaço, é necessário trabalharmos com determinação na realização das tarefas políticas, desenvolvendo de maneira profunda as lutas pelos direitos dos estudantes e por melhores condições de ensino nas universidades.
A verdade é que, tanto a adoção da política de cotas raciais e sociais para o ingresso nas universidades, quanto o Programa de Reestruturação das Universidades (Reuni), e mesmo o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aumentaram o contingente de estudantes oriundos de escolas públicas nas universidades públicas. No entanto, como havíamos previsto, o aumento das vagas não foi acompanhado de um aumento substancial do investimento em educação. Recentemente, o governo federal anunciou o corte de R$ 2,3 bilhões no orçamento da educação para 2010, o que vai agravar ainda mais esse quadro.
Essa situação – aumento das vagas sem aumento de investimento – está gerando uma série de contradições no interior das universidades públicas. Estudantes recém-ingressos não conseguem continuar no curso por falta de recursos, e faltam restaurantes universitários e bolsas. Em alguns cursos, existem salas de aula com mais de cem estudantes e várias universidades ampliam vagas mediante cursos orientados unicamente para servir ao mercado. Em quase todas as universidades, está diminuindo o número de professores para cada estudante e existem metas absurdas de aprovação que fizeram retornar o jubilamento (ato de expulsão da universidade), como forma de pressão contra os estudantes que têm mais dificuldade no aprendizado.
É preciso não esquecer, no entanto, que nenhuma das recentes mudanças no ensino superior modificou a situação de profunda exclusão que é característica das universidades brasileiras. Apenas 15% dos jovens brasileiros conseguem entrar numa universidade e, desses, quase 80% não conseguem vaga no ensino público, ficando assim reféns de mensalidades altíssimas nas faculdades pagas.
As forças governistas não têm tido condições de encarar o atual momento nas universidades, menos ainda as do esquerdismo e, por isso, têm perdido várias eleições de DCEs. Também esse fato aumenta as possibilidades de aprofundarmos nossa influência no movimento, pois a ausência de uma força realmente revolucionária tem feito reaparecer setores da direita no movimento estudantil, como os que atualmente dirigem o DCE da UFRGS.
Este é o momento de aumentarmos a mobilização em defesa dos interesses dos estudantes. Precisamos realizar uma campanha nacional de denúncias contra o corte de verbas na educação e contra o jubilamento. Construir de maneira profunda cada gestão de DCE, com jornais mensais, seminários e muita luta. Organizar uma ampla campanha de construção de CAs e DAs, em todo o país, e de entidades estudantis nos setores onde somos mais fortes. Se agarrarmos cada uma dessas tarefas e realizarmos em conjunto cada tarefa política relacionada à propaganda do socialismo e à organização, venceremos uma etapa muito importante da luta dos estudantes brasileiros.