Brasil : Chuvas e descaso público causam sofrimento em Alagoas
em 13/07/2010(170 leituras)
Durante as festas juninas, o período festivo mais importante para o povo nordestino, o Estado de Alagoas foi duramente atingido pelas chuvas. Dor e sofrimento de milhares de famílias que viram suas casas devastadas e pontes, estradas e até cidades serem totalmente destruídas. A Verdade esteve em Quebrangulo, uma das 26 cidades mais atingidas do Estado de Alagoas.
Na sexta-feira, dia 19 de junho, os moradores da pacata cidade de Quebrangulo receberam o aviso de que deveriam abandonar suas casas o mais depressa possível e procurar abrigo em lugar seguro. O lugar é cortado pelo rio Paraíba do Meio, que nasce em Bom Conselho, no vizinho Pernambuco, e as fortes chuvas, a exemplo do ocorrido em várias cidades do Brasil nos últimos anos, fizeram o rio transbordar, acabando com o centro da cidade.
Quebrangulo tem uma população de cerca de 12.000 habitantes, em sua maioria pequenos agricultores e comerciantes. Nela nasceu Graciliano Ramos, exímio político e autor de, entre outras obras de renome da literatura nacional, o romance Vidas Secas. “Quebrangulo passa pela maior enchente já vista” disse um morador de 102 anos, resgatado em casa.
No segundo dia de enchente, a população voltou às ruas, na tentativa de resgatar seus pertences, em meio aos escombros. Pouco se via de ajuda e de ação do governo na localidade, algo que não surpreende, pois estamos falando de uma pequena cidade no interior de um dos Estados mais pobres do país.
O descaso e o abandono em obras de saneamento básico e de infra-estrutura são os grandes responsáveis pelo agravamento dos problemas causados pelas chuvas. A pouca ajuda que se via era de movimentos religiosos que recolhiam mantimentos em cidades vizinhas e os levavam para repartir com os desabrigados. “É necessário dividir o que se tem e não dar o que está sobrando”, declarou uma das voluntárias.
A água do rio chegou a derrubar duas das três pontes da cidade, entre elas uma que nem sequer havia sido inaugurada e serviria para a passagem do trem. A que sobrou encontra-se com sua base comprometida, sendo o único meio, após o desastre, de ligação dos dois lados da cidade. A exemplo do que ocorreu em outras cidades, a população mais carente vem sofrendo com o descaso e o abandono de seus governantes, depois de desastres naturais. Mais de 70.000 pessoas se encontram desabrigadas Trinta e seis morreram.
Se não bastasse, o Estado de Alagoas não tem um fundo de prevenção para esse tipo de desastre e a cidade não possui nenhuma estrutura para enfrentar a tragédia. Se depender dos atuais governos, continuará assim.