A maior preocupação dos principais países da chamada “zona do euro”, Alemanha e França, é de que os problemas da Grécia se espalhem por outros países altamente endividados da região, levando-os a uma crise maior que poderá se espalhar por todo o mundo.
Outros países europeus com grandes déficits já sentem os ventos da crise, principalmente Portugal e Espanha. A possibilidade da Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pelo euro desde sua criação, em 1999. No ano passado Portugal registrou um déficit fiscal de 9,3% do PIB, maior do que o esperado. Como saída, o governo português disse que limitará os gastos, este ano, por meio do congelamento de salários dos servidores públicos e da redução da folha de pagamento do governo.
Espanha e Itália, economias bem maiores que a Grécia e Portugal também enfrentam dívidas altas e queda no crescimento econômico. O governo espanhol aprovou decreto-lei que inclui cortes sociais para reduzir o déficit público. O decreto prevê a redução dos salários dos funcionários públicos para este ano e o congelamento das pensões em 2011. A medida também acaba com o chamado “cheque-bebê” (pagamento de US$ 3.100 por nascimento ou adoção de um filho) e corta mais de 6 bilhões de euros (quase US$ 7,5 bilhões) em investimentos públicos.
Em resposta a essas medidas, os sindicatos espanhóis já têm previstas mobilizações e uma greve no setor público para o dia 8 de junho. No dia 13 de maio, a Federação de Serviços Públicos da Espanha anunciou greve geral do funcionalismo para o dia 2 de junho, em protesto contra a redução e o congelamento de salários. A greve será acompanhada de uma série de mobilizações para mostrar a rejeição às medidas anunciadas pelo governo com o objetivo de reduzir em 5% os salários de todos os servidores públicos do país.