Ao fazer o exame para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), o estudante de Economia da Universidade Federal do Ceará, Queops Damasceno Carneiro, 21, passou em todas as provas (conhecimentos gerais, lógica e teste físico).
Todos os candidatos que passaram nas referidas provas foram aprovados e ingressaram no CPOR, à exceção do estudante Queops. O motivo: sua participação no movimento estudantil e simpatia por Che Guevara. Quando Queops estava sendo entrevistado por um sargento, foi reconhecido por um soldado que amigavelmente disse: “olha aí o Che Guevara lá do colégio. Ei, Sargento, esse cara aqui é gente boa ele é ‘revolucionista’, formou o grêmio lá da minha escola”. Na sua inocência, o soldado não sabia que tinha chamado a atenção para algo que o Exército não admite. O Sargento, então, perguntou para o estudante: “Ah, quer dizer que você gosta do Che Guevara?”. Queops respondeu sinceramente: “Sim. O Exército Brasileiro tem algum problema com o Che?” E o Sargento: “Não, não. Aqui cada um pensa do jeito que lhe convier”. Em seguida riu e fez uma anotação na folha da entrevista.
De fato, Queops, desde os 15 anos de idade atua no movimento estudantil de sua cidade, tendo participado da fundação da União dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de Fortaleza (UESM), de vários grêmios de Fortaleza (dentre eles o do soldado – Escola Adauto Bezerra), foi diretor da UBES de 2006 a 2007, participou da reconstrução do Diretório Central dos Estudantes do Cefet-CE e é militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e da União da Juventude Rebelião (UJR).
Parece que para prestar serviço militar no Brasil, o indivíduo não pode ter tido experiência em organizações civis e nem gostar de Che Guevara.