Cerca de dez mil pessoas foram às ruas do centro do Rio de Janeiro no dia 17 de março em passeata promovida pelo Governo do Estado que, segundo o Governador Sérgio Cabral, serviu para “defender o Rio de Janeiro de uma covardia”. Foram milhões de reais dos cofres públicos gastos com painéis imensos nos principais pontos turísticos da capital, panfletos, camisas, faixas, publicidade em rádio, jornal e televisão, dezenas de ônibus, milhares de policiais e cinco trios elétricos para o dia do ato. Além disso, foi decretado meio expediente em todos os estabelecimentos públicos estaduais e os servidores foram constrangidos a participar da passeata com a argumentação terrorista de que o Governo estava correndo sério risco de falência e que todos sairiam prejudicados.
Tudo isso para levar a população a crer em uma falsa polêmica sobre a
divisão dos R$ 7,2 bilhões de royalties do petróleo que hoje são
destinados ao Rio de Janeiro, entre todos os estados e municípios do
país. Mas o que não é dito nos grandes meios de comunicação é que os
royalties represen-tam no máximo 10% de todo o dinheiro oriundo da
extração do petróleo no Brasil e que a maior parte desse dinheiro vai
para os donos e acionistas das empresas petrolíferas privadas nacionais e
estrangeiras. Para se ter uma idéia, segundo a revista Forbes, o
bilionário Eike Batista só conseguiu se tornar o oitavo homem mais rico
do mundo porque a sua empresa, OGX, que explora o petróleo brasileiro,
rendeu 13 bilhões de dólares, 2/3 de tudo que o empresário lucrou em
2009. Com isso, Eike lucrou em um ano mais que o triplo do que o Estado
do Rio recebeu em royalties no mesmo período.
Cortina de Fumaça
Na realidade, a aprovação, na Câmara dos Deputados, da emenda do
Deputado Federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) sobre nova divisão dos
royalties é uma cortina de fumaça que quer esconder a luta do povo
brasileiro por uma Petrobras 100% estatal, que explore sozinha todas as
reservas petrolíferas do Brasil. Esta foi a forma encontrada pelo
parlamento burguês para dividir o povo jogando a população carioca e
fluminense contra os demais brasileiros. Os R$ 7,2 bilhões pelos quais
chorou o governador Sérgio Cabral durante palestra numa universidade no
Rio são muito pouco frente à perspectiva dos especialistas de existir um
total de R$ 14 trilhões em petróleo só na camada pré-sal.
Enquanto toda a mídia se concentra nesse debate sobre royalties, nada se
fala sobre os 28% dos blocos do Pré-sal que já foram leiloados, isso
sim uma covardia contra o povo brasileiro. Enquanto se coloca no centro
da questão uma falsa disputa entre os brasileiros pelas migalhas de uma
riqueza natural que pertence ao Brasil, empresas privadas oferecem
contratos milionários aos técnicos mais competentes da Petrobras com a
finalidade de saberem quais os melhores blocos ofertados nos leilões,
conforme denunciado pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás
(AEPET).
Solução é nacionalização das riquezas
A pergunta que ficou na cabeça do povo do Rio de Janeiro depois de todo
esse estardalhaço alimentado pelo governador Sérgio Cabral foi: para
onde vai todo esse dinheiro que o Rio recebe dos royalties? Isso porque
as condições de vida da população carioca em nada são diferentes das do
resto do país: pessoas morrendo nas filas dos hospitais públicos, rede
estadual de educação com professores mal remunerados, estrutura das
escolas caindo aos pedaços, proliferação das favelas, mortes provocadas
por deslizamentos constantes, população doente, altos índices de
violência, transporte público precário, falta de emprego, etc. Ao mesmo
tempo, a sucessão de escândalos sobre desvio de verbas e a impunidade
dos políticos criminosos se tornam cada vez mais comuns.
É por isso que além de lutar pelo monopólio estatal do petróleo devemos
lutar também pela Petrobras 100% estatal.
Muito se fala em soberania nacional, mas ela só será completamente
conquistada quando o povo tomar para si a propriedade dos meios de
produção e conquistar assim um Estado Socialista. Ou seja, tomar o
controle da terra, das fábricas, usinas, plataformas, mineradoras e
empresas de um modo geral. O Socialismo é o único sistema social onde o
povo é quem decide diretamente o que fazer com todas as riquezas
extraídas e produzidas de forma coletiva.