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Trabalhador Unido : Greve dos rodoviários parou Belo Horizonte

em 17/03/2010 (388 leituras)

Os rodoviários de Belo Horizonte e Região Metropolitana entraram em greve geral no dia 22 de fevereiro. A greve, que teve adesão de 95% da categoria, reivindicou aumento salarial de 37% (porcentagem correspondente à defasagem salarial nos últimos anos), redução da jornada para 6 horas diárias e o fim do acúmulo da função de trocador sobre os motoristas e das demissões nas empresas.

O Para-Choque – Oposição Rodoviária –, junto com o Movimento Luta de Classes, desde o início do ano já estava realizando um intenso trabalho de conscientização sobre a preparação de uma greve na região metropolitana, através de vários panfletos e de reuniões nas garagens.



Greve Rodoviários - MG

Mas a direção do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte e Região (STTRBH) fez de tudo para evitar a paralisação, inclusive decretar 15 dias de “estado de greve”, o mais longo da história do movimento sindical mineiro.

Mas não houve jeito. No dia 21 de fevereiro a categoria aprovou o início da greve. Na segunda-feira, 22,  BH e a maioria esmagadora das cidades da região metropolitana amanheceram sem ônibus nas ruas (apenas o Sindicato de Contagem não aderiu à greve). Cerca de 1,5 milhão de usuários foram afetados e a região central de Belo Horizonte ficou praticamente deserta: várias lojas não abriram, escolas e universidades suspenderam as aulas.

A Polícia Militar e a Justiça do Trabalho, defendendo os interesses dos empresários do transporte, atuaram, instalando viaturas nas garagens para obrigar os grevistas a voltar ao trabalho. No segundo dia da greve, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou uma multa diária de R$ 300 mil para o sindicato, além de bloquear a conta bancária da entidade. Cedendo à pressão, a diretoria recuou e propôs cinco vezes na assembleia o fim da greve, aceitando a miserável proposta de reajuste dos patrões. Os rodoviários se mantiveram firmes e aprovaram a continuidade da greve no dia 24 fevereiro.

Acontece que a diretoria do sindicato não organizou piquetes nas portas das garagens e terminais, deixando os trabalhadores reféns dos patrões e da ação da PM nas garagens. Isso fez com que pelo menos 60% voltassem ao trabalho. Na prática, a direção do sindicato fez acordo com os patrões e, mais uma vez, traiu a categoria.

Para Welton Pelé, coordenador do Movimento Para-Choque – Oposição Rodoviária, a categoria deu um poderoso exemplo de combatividade. "Demonstramos – ele disse – que temos muita força e capacidade de luta. A direção do sindicato, porém, se absteve de dirigir o movimento, deixando os trabalhadores sem direção num momento muito importante, já que a greve se prolongou por pressão da categoria e não dos diretores do sindicato. Temos, agora, mais um motivo para mudar o sindicato".

Redação, Minas Gerais

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