Os rodoviários de Belo Horizonte e Região Metropolitana entraram em greve geral no dia 22 de fevereiro. A greve, que teve adesão de 95% da categoria, reivindicou aumento salarial de 37% (porcentagem correspondente à defasagem salarial nos últimos anos), redução da jornada para 6 horas diárias e o fim do acúmulo da função de trocador sobre os motoristas e das demissões nas empresas.
O Para-Choque – Oposição Rodoviária –, junto com o Movimento Luta de Classes, desde o início do ano já estava realizando um intenso trabalho de conscientização sobre a preparação de uma greve na região metropolitana, através de vários panfletos e de reuniões nas garagens.
Mas a direção do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de
Belo Horizonte e Região (STTRBH) fez de tudo para evitar a paralisação,
inclusive decretar 15 dias de “estado de greve”, o mais longo da
história do movimento sindical mineiro.
Mas não houve jeito. No dia 21 de fevereiro a categoria aprovou o início
da greve. Na segunda-feira, 22, BH e a maioria esmagadora das cidades
da região metropolitana amanheceram sem ônibus nas ruas (apenas o
Sindicato de Contagem não aderiu à greve). Cerca de 1,5 milhão de
usuários foram afetados e a região central de Belo Horizonte ficou
praticamente deserta: várias lojas não abriram, escolas e universidades
suspenderam as aulas.
A Polícia Militar e a Justiça do Trabalho, defendendo os interesses dos
empresários do transporte, atuaram, instalando viaturas nas garagens
para obrigar os grevistas a voltar ao trabalho. No segundo dia da greve,
o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou uma multa diária de R$
300 mil para o sindicato, além de bloquear a conta bancária da
entidade. Cedendo à pressão, a diretoria recuou e propôs cinco vezes na
assembleia o fim da greve, aceitando a miserável proposta de reajuste
dos patrões. Os rodoviários se mantiveram firmes e aprovaram a
continuidade da greve no dia 24 fevereiro.
Acontece que a diretoria do sindicato não organizou piquetes nas portas
das garagens e terminais, deixando os trabalhadores reféns dos patrões e
da ação da PM nas garagens. Isso fez com que pelo menos 60% voltassem
ao trabalho. Na prática, a direção do sindicato fez acordo com os
patrões e, mais uma vez, traiu a categoria.
Para Welton Pelé, coordenador do Movimento Para-Choque – Oposição
Rodoviária, a categoria deu um poderoso exemplo de combatividade.
"Demonstramos – ele disse – que temos muita força e capacidade de luta. A
direção do sindicato, porém, se absteve de dirigir o movimento,
deixando os trabalhadores sem direção num momento muito importante, já
que a greve se prolongou por pressão da categoria e não dos diretores do
sindicato. Temos, agora, mais um motivo para mudar o sindicato".