Brasil : Milhares comparecem em fila de frente de trabalho
em 13/04/2009(1166 leituras)
A situação das famílias atingidas pela crise do capitalismo agrava-se dia a dia. Muitos trabalhadores demitidos se veem obrigados a mudar para casa de parentes porque não podem mais pagar aluguel.
Uma das cidades mais afetadas pelo desemprego no Estado de São Paulo é Diadema que possui quase 400 mil habitantes. Para fazer frente a essa situação, a prefeitura da cidade abriu 600 vagas de frente de trabalho. No primeiro dia de inscrição, 23 de março, às 7h da manhã, a fila de espera estava com quase 4 mil pessoas.
Os primeiros da fila chegaram às 11h da manhã do dia anterior. Algumas
pessoas usavam cobertores para se proteger dos 16 graus de temperatura.
Alguns andaram 7 km para chegar ao local de inscrição e não tinham
sequer o dinheiro da passagem de ônibus (R$ 2,50) para voltar para suas
casas.
Fátima Augusta, 44 anos, falando a A Verdade disse, “No ano passado,
eles colocaram o pessoal que não precisava. Acho que eles têm que dar
preferência para quem precisa. Estou separada e não tenho dinheiro. Meu
filho está preso e não tenho dinheiro nem pra ir visitá-lo na prisão,
isso já faz quase três anos”. Josefa dos Santos, que já trabalhou na frente de trabalho de Diadema em
2007 ganhando R$ 200 por mês, denunciou as condições de trabalho no ano
passado: “A gente fazia de tudo, carregávamos concreto, entulho até
limpava bueiro. Algumas vezes a gente teve que derrubar os barracos das
pessoas que moravam em áreas de risco”.
Na frente de trabalho, os que conseguem ser selecionados não têm nenhum
vínculo empregatício, apenas recebem uma bolsa de R$ 465,00 para
trabalhar 40 horas por semana. Ou seja, trabalharão sem ter nenhum
direito trabalhista (13° salário, férias, licença médica, etc).
O Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema criticou a situação,
“A frente de trabalho é uma forma precária de emprego, é uma forma de
não fazer concurso público. Disse Várias pessoas já procuraram o
sindicato para denunciar as injustiças que estão sofrendo.”
Essa “economia” não se justifica diante dos anos e anos de isenção e
redução de impostos para os empresários da cidade, enquanto que o povo
se afunda na miséria.