Brasil : Famílias se unem por direito a moradia digna
em 17/03/2010(334 leituras)
O problema das ocupações irregulares de terrenos urbanos para moradia da população de baixa renda se repete na maioria das grandes cidades brasileiras. O resultado é o crescimento desordenado e o inchaço das cidades com falta de infra-estrutura para garantia das necessidades básicas do cidadão, como o saneamento básico, abastecimento de água, assistência médica, transporte e educação.
Belém, com uma população de 1.437.600 habitantes, 10ª cidade mais populosa do Brasil, a tem um déficit habitacional de 127.253 unidades habitacionais.
Um exemplo dessa realidade são os moradores da Quintino Bocaiúva com
Bernardo Saião situado no bairro do Jurunas em Belém, que por não terem
pra onde ir, resolveram construir suas moradias em cima do canal aberto
existente neste local.
São aproximadamente 180 famílias que moram
desde 2001 em condições desumanas , sendo obrigadas a conviver
diariamente com o mau cheiro que sobe do esgoto, ratos, baratas e várias
espécies de mosquitos. Constantemente as pessoas adoecem e vários são
os casos de tuberculose, pneumonia, problemas de pele e doenças
respiratórias que se manifestam principalmente nas crianças.
Depois
de esperar um ano pela promessa do prefeito Duciomar Costa (PTB), os
moradores, organizados pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e
Favelas – MLB resolveram ocupar a prefeitura até uma solução ser
encontrada. A decisão veio após as famílias receberem um comunicado da
prefeitura dizendo que teriam que se retirar das casas devido à obra de
revitalização do canal.
A primeira foi manifestação foi um trancaso
com panfletangem no dia 23 de fevereiro na Av. Bernardo Saião e uma
ocupação da Prefeitura de Belém no dia 24, onde fomos recebidos pelo
assessor do prefeito que prometeu organizar uma reunião imediata com com
a Secretaria de Habitação (Sehab).
Os atos tiveram uma grande
repercussão na ciddae já que foram acompanhados pela impressa local.
Vendo a determinação dos moradores de lutarem por uma moradia digna, a
Sehab teve que se posicionar e em nota esclareceu que a proposta da
prefeitura é pagar aos moradores um auxilio moradia no valor de R$
350,00 por mês até a entrega dos apartamentos ficarem prontos.
A
vitória reforçou o sentimento de unidade e de luta dos moradores e a
certeza de que, como afirma o MLB, “com luta, com garra, a casa sai na
marra”.
Fernanda Lopes, militante do Partido Comunista
Revolucionário - PA