Entrar    
 + Registrar

Busca

Palavras-chave (Tags)

capitalismo crise cuba descaso ditadura educação eua exploração fidel greve guerra imperialismo mlb moradia operários privatização tortura ubes ujr une

Teoria Marxista

Multimídia


Internacional : Por trás da COP-15

em 19/02/2010 (141 leituras)

Em dezembro de 2009, milhares de ativistas sociais acompanharam a reunião da Conferência da Convenção do Clima (COP-15), organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia do evento era reunir ministros do meio ambiente e chefes de Estado para fechar um acordo: reduzir os gases que provocam o efeito estufa e elevam a temperatura do planeta. A dificuldade era, e continua a ser, quanto e quem deve realizar tal feito. Mesmo depois de vários discursos, palestras, conferências e negociações à parte, chegou-se ao resultado mais inesperado possível: nenhuma proposta em consenso. As mesmas autoridades que invocaram “a necessidade urgente de reduzir as causas do efeito estufa”, o “papel histórico das nações” ou “a ilegitimidade de acordos de gabinete” não conseguiram construir uma proposta conjunta.



Ora, se são autoridades nos seus países, por que não assumirem essas responsabilidades? O que os impede? É um fato inegável, e até o mais incrédulo já se convenceu de que ou se muda a realidade ou o mundo irá à catástrofe. O fato é que, atrás dos “holofotes”, existe algo que não se discutiu. Há verdades que, por mais claras que sejam, não foram exibidas durante os mais de cinco dias da cúpula.

COP15 - repressão

Nosso modo contemporâneo de vida afundou. Somos seres humanos coisificados, mercantilizados, meras peças de um sistema que gira em torno do consumo. Isso mesmo. É a velha mão invisível smithiana do mercado. A entidade santificada, cristalizada no imaginário das anestesiadas pessoas do planeta azul chamado Terra.

Mas não se deprima, caro leitor. Somos todos iguais perante o mercado, somos consumidores. E é só? Bem, mas quem manda no final? O divino Espírito Santo? Não! O mercado tem dono, e não é o povo. Os donos do mercado são os mesmos que, embora não esbanjem no peito a faixa de autoridades estatais estabelecidas, mandam nos Estados e seus ministros, chefes e qualquer coisa que o valha.

Outro dia, joguei um copo no chão e fiquei incomodado. Recolhi após ser chamado à atenção e percebi que realmente poderia não mais jogar lixo no chão, e isso ajudaria o planeta. Mas também pensei: ora, se todos deixarmos de jogar o lixo nas ruas será muito bom. Mas mesmo assim se os empresários que pensam única e exclusivamente no lucro não utilizarem energia limpa, continuaremos com o efeito estufa e com bilhões de toneladas de gases tóxicos jogados na atmosfera. Não basta eu mudar... tem que todos mudarem.

Mas, então, podem eles mudar de postura pela própria vontade? Certamente, não. O processo de avanço do capital requer aumento de produtividade do trabalho, baixos custos, seja de mão de obra (principal) ou de despesas operacionais. Por exemplo, a empresa Gerdau, metalúrgica de propriedade de Jorge Gerdau, precisa construir suas ligas de aço para a construção civil. Para ter mais lucro, necessita de ferro à disposição a um preço baixo. Não importa se a extração é feita com a utilização de resíduos tóxicos ou se há desmatamento para tanto. Ao mesmo tempo, para realizar o processo produtivo, sua energia tem também que ser barata. Se o diesel é menos oneroso, melhor. Por que não implantar uma usina de energia solar? Sai caro!

Não se trata de boa-fé ou vontade dos donos do mercado. Trata-se do modo capitalista de produção. Ou muda o conteúdo, ou a forma não mudará. E esses mesmos não estão dispostos. Requer abdicarem de altos índices de lucratividade, requer diminuírem seus ganhos reais para salvar o planeta, requer exigir consciência de alguns poucos indivíduos que só veem a cor verde de notas de dinheiro. Eles realmente não vão fazer isso! Por isso, o decadente império norte-americano e o jovem império capitalista chinês praticamente impedem quaisquer opções de redução dos gases. Defendem, com unhas e dentes, seu capitalismo, esse modo de vida absurdo, essa desarmonia repugnante que destrói nosso planeta.

Chegamos ao nó da questão. Lembra a autoridade? Como os governantes vão impor sua autoridade aos empresários se esses são os que “obrigam” os governantes a não criarem sequer metas de redução de gases? Como eles irão mudar, se são poderosos suficientemente para impor sua vontade e ainda dominar os meios de comunicação e afirmar que a culpa é de todos nós, já que não plantamos árvores suficientes?

Estamos, então, num beco sem saída.  Mas podemos sair dele se decidirmos mudar nosso mundo. Se decidirmos lutar contra as reais causas da destruição da natureza. Se colocarmos a nós mesmos os desafios de construir um mundo novo, sem exploração do homem e numa convivência harmoniosa com a natureza. Construir um mundo no qual os trabalhadores possam decidir os rumos da sua economia, do futuro das suas vidas. Poderíamos chamá-la de sociedade futura, ideal, fraterna, soberana. Prefiro chamá-la de socialista.

Serley Leal, bancário e militante do PCR do Ceará

Classificação: 0.00 (0 votos) | Classifique esta notícia |

Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.


Outros Artigos

• Obama prorroga por mais um ano sanções do bloqueio  [ 03/09/2010 ]

• Revolta do povo grego vai continuar  [ 31/08/2010 ]

• Nicarágua: o primeiro Vietnã dos Estados Unidos   [ 19/08/2010 ]

• Robin Hood  [ 19/08/2010 ]

• Fenaj renova diretoria em eleições diretas   [ 19/08/2010 ]


Marcar este artigo como favorito neste site

                                       


Última Edição

JAV nº 119
R$ 1,00

Assinatura

Edições Manoel Lisboa

O  materialismo dialético e o materialismo histórico

O Materialismo Dialético
e o Materialismo Histórico
R$ 10,00

Sites em Destaque

Logo PCR  
CIPOML
UJR