Passados mais de quatro meses da descoberta do esquema de corrupção coordenado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), nenhum dos envolvidos foi preso ou afastado de seus cargos.
O Mensalão dos Democratas, que envolveu, além do governador, deputados e empresários, foi investigado pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora que colheu farto material comprovando o pagamento de propina por empresários beneficiados em contratos públicos. Estes repassavam um percentual do valor dos contratos, que depois era distribuído ao governador e seus comparsas.
Entre as provas está a agenda encontrada com Fábio Simão, ex-chefe de gabinete do governador José Roberto Arruda. Lá está escrito: "22 de janeiro de 2007, R$ 17.700,00 – Arruda". Com Domingos Lamoglia, ex-conselheiro do Tribunal de Contas e auxiliar de Arruda, foram encontrados outra agenda e um livro-caixa com anotações contendo o nome dos políticos e os valores recebidos por cada um.
Ao ser ouvido no dia 16 de setembro de 2009, em depoimento, o ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, afirmou que “o governador coordenava um sistema de pagamento de propina permanente e estável, envolvendo empresários e deputados distritais”. O ex-secretário disse ainda que resolveu contar o que sabia porque estava sendo ameaçado de morte pelo governador.
Com autorização da Justiça foram gravados vários vídeos, em um dos quais o governador aparecia recebendo um pacote de dinheiro com R$ 50 mil. Em outro, um grupo, de mãos dadas, aparece rezando e agradecendo a Deus o dinheiro recebido. De acordo com as investigações, Arruda, assessores, deputados e empresários cometeram os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
Apesar de tantas provas, documentos e filmagens, a Justiça não determinou a prisão preventiva nem do governador corrupto nem de nenhum deputado envolvido – muito menos dos donos das empresas beneficiadas. Pelo contrário, todos continuam soltos, rindo da cara do povo.
Enquanto falta dinheiro para socorrer as famílias vítimas das enchentes em vários estados, para melhoria dos hospitais públicos, assim como para a melhoria da educação, aqueles que roubam o dinheiro do povo, os verdadeiros ladrões de Brasília, continuam soltos para cometer mais crimes.