7 de Setembro. Dia em que as classes dominantes comemoram a proclamação da independência do Brasil em relação a Portugal, reverenciando o grito “Independência ou Morte”, que teria sido bradado por D. Pedro às margens do riacho Ipiranga (SP) no ano de 1822.
Mas o Brasil ficou realmente independente? Na verdade, até para Portugal reconhecer a independência, teve de ser paga uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas, tomadas emprestadas a Inglaterra. Assim começou o endividamento externo, que só fez crescer, apesar de os sucessivos governos do nosso país pagarem religiosamente em dia juros e amortizações. Em dezembro de 2008, a dívida externa chegou a US$ 265 bilhões.
O que demonstra a nossa história é a completa submissão das classes
ricas brasileiras aos interesses dos países imperialistas, dos seus
monopólios, tornando-se seus sócios menores em detrimento dos
interesses do povo brasileiro. E para elas, é uma questão de vida ou
morte, pois nunca vacilaram em massacrar impiedosamente aqueles que
foram à luta por uma verdadeira independência – de Tiradentes aos
heróis da resistência à ditadura de 1964.
Agora, imagine se o Brasil fosse realmente independente e aplicasse as
imensas riquezas naturais dilapidadas desde a colonização e as imensas
riquezas produzidas pelos trabalhadores, no atendimento às necessidades
do povo brasileiro, tão trabalhador e criativo?
Imagine se os R$ 282 bilhões gastos pelo governo federal em 2008 com
juros e amortizações das dívidas externa e interna fossem aplicados em
saúde, educação, na reforma agrária e na produção de alimentos?
Imagine se os fabulosos lucros das estatais que ainda restam –
Petrobras e Banco do Brasil- em vez de serem distribuídos com seus
sócios privados, fossem investidos em transporte (rodovias, hidrovias,
ferrovias), em moradia popular, em saneamento?
É um sonho, dirão. Mas o que seria da humanidade se não houvesse
aqueles que sonham, mas de olhos abertos e lutam para construir seu
sonho? E não temos os exemplos das revoluções socialistas, inclusive a
cubana, numa ilha tão pequenina, aqui do nosso Continente? E mesmo com
suas limitações, nossos vizinhos – Venezuela, Bolívia, Equador – não
estão, construindo novos caminhos que apontam para uma verdadeira
soberania nacional e quiçá para o socialismo?
Vamos então, erguer-nos e caminhar. Gritar no 7 de setembro, o Grito
dos Excluídos, proclamar que um novo Brasil é possível, que um novo
mundo é possível, que o petróleo tem de ser nosso e a Amazônia também,
que o povo quer de volta o nosso patrimônio entregue de mão beijada aos
capitalistas daqui e de fora à custa do sangue, das vidas dos
trabalhadores.
Mas não basta gritar só no dia 7 de setembro. É preciso todos os dias,
conscientizar e organizar o povo nas fábricas, nos campos, nas favelas,
onde ele estiver, pois é nos trabalhadores que está a força da
transformação. Lutar para criar o poder popular, para conquistar um
governo popular, capaz de desencadear um processo de transformação rumo
à verdadeira soberania nacional, que só poderá se completar no
socialismo, irmanados com os trabalhadores da nossa latino-américa e do
Mundo inteiro, pois “sonho que se sonha juntos é realidade”.