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Brasil : Sindicatos denunciam desgoverno de Yeda Crucius

em 25/03/2009 (287 leituras)

No decorrer do mês de fevereiro próximo passado, o Estado do Rio Grande do Sul viveu uma situação tensa em virtude de uma ação contestatória coordenada pelo CPERS/SINDICATO (entidade sindical dos Professores Estaduais) e dez entidades sindicais do Rio Grande do Sul.
A campanha desenvolvida pelos sindicatos denuncia a face autoritária do Governo Yeda Crusius e sua política de desmonte do serviço público estadual. A iniciativa causou enorme repercussão na sociedade, com amplos setores apoiando o movimento. As entidades sindicais gaúchas SINDICAIXA, UGERM, SINDSEP, SIMPE, SINDIÁGUA, SEMAPI, FEDERAÇÃO DOS BANCÁRIOS/RS, SINDJUS, SINPE e CPERS/SINDICATO, esclarecem em nota as razões para desencadearem a mobilização.



yeda1) Todas as denúncias feitas pelos servidores têm origem em fatos concretos, que não foram criados pelos sindicatos ou por eles apresentados à opinião pública;
2) As acusações de corrupção do DETRAN foram objeto de uma CPI e de processos que correm na Justiça;
3) Foi a própria imprensa que repercutiu as declarações feitas pelo Chefe da Casa Civil, que causaram, inclusive, sua demissão;
4) A Secretária de Transparência se afastou do cargo acusando o governo de não dar à sociedade os esclarecimentos necessários sobre os seus atos;
5) O descaso com a Segurança Pública é comprovado pelos números que mostram o aumento da criminalidade com mais de três mil homicídios em dois anos de governo;
6) A venda de parte do controle acionário do BANRISUL e a tentativa de prorrogar contratos de pedágios sem licitação, o sucateamento das fundações e empresas públicas, entre outras medidas de desmonte dos serviços públicos;
7) O desmonte do Estado pelo fechamento de escolas e municipalização do ensino, com cortes de custeio para áreas vitais como  Saúde e Educação somam-se à inexistência de políticas socais.
8) O autoritarismo do governo se expressa através de decretos e ordens  de serviço para  tentar coibir  a livre organização dos trabalhadores, com os descontos dos dias de greve já recuperados, utilizando-se de incontáveis conflitos, repressão com violência aos movimentos sociais e ameaças de demissão, ausência de diálogo e práticas anti-sindicais.
Ainda, de acordo com os coordenadores da campanha, a governadora, em todo seu mandato, vem atacando os trabalhadores e estudantes com arrocho salarial, com degradação das condições  da escola pública, com desrespeito ao servidor público e, sobretudo, com extrema e absurda violência, como fez contra os professores, bancários e estudantes no ato contra o aumento das passagens em Porto Alegre.
No dia 12 de fevereiro, as principais avenidas e ruas de Porto Alegre, região metropolitana e em diversas cidades interioranas, amanheceram  com vários "outdoors"  mostrando o rosto da governadora e dizeres: "ESTA É A FACE DA DESTRUIÇÃO"; ESTA É A FACE DA CORRUPÇÃO'. ELA NÃO PODE CONTINUAR'.
A Governadora Yeda Crusius, que estava fora do estado, acionou, no mesmo dia, o Ministério Público Estadual objetivando a suspensão imediata dos "outdoors" que continham sua imagem. O MP/RS determinou, então, sem julgamento do mérito e em caráter liminar, a retirada do rosto da governadora e também a não-colocação de mais painéis com o retrato da Senhora Yeda Crusius.
No entanto, apesar da proibição imposta, os sindicatos continuaram com o movimento, agora não mais com o rosto, apenas com os dizeres referentes às atitudes adotadas pelo governo peessedebista, e durante todo o mês de fevereiro e março, os porto-alegrenses e os habitantes do interior do Estado têm, em suas caminhadas e andanças pelas ruas de suas cidades a visualização do que está ocorrendo em solo gaúcho, a exposição pública das mazelas causadas à população e também aos servidores estaduais por uma governadora comprometida com interesses outros que não os de resolver os problemas da população.
Convém ressaltar, ainda, que neste mês de março, a partir do dia 2, recomeça o ano escolar em todo o estado, e como consequência do desmazelo, do sucateamento visível e notório, da retirada de verbas pra outras coisas, do desmantelamento total do ensino, as crianças encontrarão escolas em péssimas condições de uso, professores mal remunerados e sem tempo para preparar suas aulas e atividades educacionais; pobre do estado que não se preocupa com a educação de suas crianças.

Paulo Roberto Tiecher, funcionário Público do Tribunal Regional do Trabalho da 4a. Região e jornalista

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