A Fuga, livro de André Borges, retrata em 11 capítulos a luta travada dentro das prisões contra a ditadura militar fascista.
O livro inicia mostrando o trabalho feito pelos presos políticos da insurreição popular de 1935 na Penitenciária Lemos Brito, A Fuga revela como os presos comuns foram formados pelos comunistas na prisão, a organização dos coletivos, das bibliotecas organizadas e aulas realizadas na prisão. Ao final dos estudos e de todo um processo, vários presos comuns, vítimas da sociedade capitalista, foram transformados em homens que descobriram o porquê da pobreza, da violência e da exploração existente na sociedade e a necessidade de se rebelar contra o sistema.
André Borges mostra como,
junto com outros presos, organizou em 1968, o 1º Festival de Música e Poesia do
Penitenciário da Guanabara, tendo uma ampla repercussão e até sendo transmitido
na época pela extinta TV Tupi.
O autor também relata em
detalhes sua fuga da penitenciária com a ajuda de ex-presos comuns que foram
formados na prisão não só ideologicamente como culturalmente. Formando assim
outra frente de luta. Com a fuga, foi criado o MAR - Movimento Armado
Revolucionário, que se não fosse um erro na última expropriação teriam se
unificado à Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Mariguella.
Algo que também chama muita
atenção no livro é que em todas as penitenciárias por onde passou o autor, ele
as estudou a fundo, conhecendo suas falhas de construção, as fugas já ocorridas
e os planos para voltar à liberdade para continuar a luta contra a ditadura.
O livro "A Fuga", é uma boa leitura
para aqueles que veem a necessidade de organizar os trabalhadores da cidade e
do campo mesmo quando estes estejam encarcerados nas prisões.