Os empresários do setor supermercadista no Brasil estão sorrindo à toa nestes últimos anos. Isso porque, graças aos constantes aumentos de preços e à exploração cada vez maior dos trabalhadores do setor, as grandes redes têm obtido lucros bilionários.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o faturamento das empresas de supermercados no Brasil alcançou, em 2008, a fabulosa cifra de R$ 158,5 bilhões, um aumento de 16,3% em relação a 2007. O número de lojas chegou a 75.725, e nelas trabalham 876.916 funcionários, ocupando uma área total de 18,8 milhões de m². Como todo setor da economia capitalista, porém, também os supermercados no Brasil são dominados por grandes monopólios nacionais e internacionais. Basta ver que as 5 maiores empresas abocanham nada menos que 41% desse mercado.
Com todo esse poderio e
concentração nas mãos de poucos, não são de estranhar os constantes aumentos de
preços, já que essas redes têm um imenso poder de monopolizar o fornecimento e
a distribuição de alimentos no país.
Mas toda essa riqueza é
obtida mediante uma brutal exploração dos funcionários, que são obrigados a
trabalhar de sol a sol, numa jornada de trabalho esmagadora. De acordo com
pesquisa do setor, 82% das lojas abrem aos domingos e feriados.
Também são inúmeras as
denúncias de horas extras não pagas, como nos conta Maria Antônia, trabalhadora
de uma grande rede de supermercados em Diadema-SP: "Trabalhamos além de nosso
horário na maioria dos dias da semana e nunca recebemos as horas extras a que
temos direito". Relatou ainda que todos trabalham sob uma constante repressão
dos fiscais e gerentes, não podem levantar para ir ao banheiro, têm pouquíssimo
tempo para o almoço e qualquer erro é duramente repreendido.
Trabalhadores da reposição e
estoque carregam peso muito além da sua capacidade física, gerando problemas de
saúde como dores musculares, problemas de coluna etc. Nos caixas, os
trabalhadores vivem em constante situação de tensão, o que ocasiona problemas
relacionados ao cansaço físico e mental.
Contrariando a situação de
crise econômica, os monopólios supermercadistas pretendem continuar explorando
e aumentando seus lucros à custa dos trabalhadores e da população - que é obrigada
a pagar altos preços por bens essenciais como cereais, frutas, carnes,
materiais de limpeza etc. Usam o discurso da crise para reduzir o salário dos
trabalhadores e, por outro lado, já prevêem como vão engordar ainda mais suas
contas bancárias.
Cabe à população e aos
trabalhadores se unirem para exigir o imediato congelamento dos preços e a
melhoria das condições de trabalho e salariais para os trabalhadores desse
importante setor da economia. Pois não é justo que um punhado de bilionários se
aproveite da situação para explorar o povo, enquanto os trabalhadores sofrem
com a crise.